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Escrever ou não escrever?
Crôhnicas - Edição #09
ser ou não ser?
eis a questão de Hamlet, proferida no terceiro ato da peça homônima de William Shakespeare.
PONTO DE VISTA

Bloqueio criativo
Enquanto me encontro aqui, sentado diante de uma página em branco, a questão "escrever ou não escrever" ecoa em minha mente, evocando a indecisão shakespeariana de Hamlet: "ser ou não ser". Esta analogia transcende a mera contemplação filosófica; ela reflete a minha própria luta interior em um mundo onde a avalanche de informações ameaça sufocar minha criatividade.
Quando iniciei esta newsletter, imaginei conseguir deixar as informações sobre as doenças inflamatórias intestinais mais simples para o grande público. Uma curadoria de notícias e estudos para competir com o mar de desinformação e dancinhas das redes sociais.
Todavia a realidade se mostrou diferente. Passaram-se 10 semanas, 8 edições entregues e o feedback é muito positivo, porém vocês, caríssimos leitores, demonstram preferir meus textos filosóficos e literatos aos textos chatos sobre doença. A questão é o famigerado bloqueio criativo. De onde tiraria tanta inspiração?
No tempo de Shakespeare, Hamlet debatia-se com a essência da vida e a inevitabilidade da morte. Agora, encontro-me imerso em um dilema semelhante, mas no reino da expressão e da criação. "Escrever ou não escrever" não é apenas uma questão retórica para mim; é uma batalha diária contra o bloqueio criativo em uma era de excessos informacionais.
Vivo na era digital, um tempo onde cada clique me inunda com conteúdos diversos: redes sociais, blogs, notícias. Essa enxurrada de palavras e ideias constantemente me desafia a encontrar uma ilha de originalidade em um oceano de repetições. O bloqueio criativo, para mim, surge paradoxalmente não da ausência, mas do excesso. É uma paralisia diante da abundância, onde a dificuldade reside em filtrar o essencial do trivial, em discernir a minha voz no coro cacofônico da internet.
Como Hamlet, oscilo entre a ação e a inação, o desejo ardente de expressar algo significativo e o medo de ser apenas mais um eco na vastidão digital. Questiono-me constantemente: vale a pena escrever se parece que tudo já foi dito? Vale a pena tentar se destacar quando parece que toda criação está fadada ao esquecimento em meio à voracidade informacional?
No entanto, tenho aprendido que, apesar dessa torrente de palavras que nos cerca, minha expressão individual possui um valor inestimável. Reconheço que sou um universo único de experiências e perspectivas. Em cada palavra que escrevo, enfrento meu próprio dilema existencial, buscando significado e autenticidade na minha arte. Em um mundo de cópias e repetições, a verdadeira originalidade reside na autenticidade da minha voz, na capacidade de tecer minhas experiências pessoais em narrativas que ressoam com a verdade do meu ser.
Assim, "escrever ou não escrever" torna-se mais do que uma questão de criação; é uma jornada de autoconhecimento. No ato de escrever, descubro não apenas o mundo ao meu redor, mas também me descubro. Como Hamlet aceitou seu destino, também estou aprendendo a abraçar minha jornada criativa. Reconheço que, mesmo em meio à cacofonia da era digital, há espaço para a minha voz, para as minhas palavras, para a minha verdade.
Portanto, mesmo diante do bloqueio criativo, escolho escrever. Escolho mergulhar nas profundezas do meu ser e emergir com algo que é inerentemente meu. Em cada frase, em cada palavra, busco não apenas comunicar uma ideia, mas também me conectar com o mundo de uma forma que só eu posso fazer. É nesse processo que encontro a liberdade e a alegria de ser verdadeiramente eu, um escritor navegando nas correntes tumultuosas da modernidade.
Desta vez convido você, leitor. Como você lida com a abundância de informações e o desafio de encontrar sua voz única? Compartilhe sua experiência e pensamento. Vamos juntos descobrir e celebrar as muitas vozes que compõem este nosso mundo interconectado.
Obviamente, não vou parar de falar das doenças inflamatórias intestinais, dieta, qualidade de vida, mas ainda estou em busca do melhor formato - o que mais agrada.