Livros, desapego e Inteligência Artificial

Crôhnicas - Edição #5

você já leu hoje?

muitos homens iniciaram uma nova era em suas vidas a partir da leitura de um livro, disse Henry David Thoreau.

PONTO DE VISTA

Livros, viagens e instrumentos musicais

Real Gabinete Português de leitura, no Rio de Janeiro.

Na minha primeira sessão de terapia em 2019, compartilhei com meu terapeuta meus três grandes amores: livros, viagens e instrumentos musicais. Ele, com um leve sorriso, me questionou: "Você realmente acha que precisa de terapia?"

A pergunta, carregada de ironia, era um convite à reflexão. Sim, a necessidade de terapia era clara para mim. Na verdade, sempre acreditei que todos, em algum momento, se beneficiariam dessa jornada de autoconhecimento.

Concluir que você não precisa de terapia pode ser, ironicamente, um dos maiores indicativos de que ela pode ser útil. Antes desse momento, eu era cético quanto à terapia, mas essa é uma história para uma outra edição da Crôhnicas.

Hoje, focarei nos livros. Nas próximas edições, explorarei as viagens, instrumentos musicais, a terapia em si e a beleza da solitude.

Então, pegue seu café e prepare-se para uma leitura que, espero, seja tão reveladora quanto um bom livro. ☕

Escrever é viver

Disquetes: como era o mundo antes da internet e do armazenamento na nuvem.

Desde que me lembro, esportes físicos nunca foram minha praia. Mas não me entenda mal, eu não era completamente desajeitado. Teve aquela época em que brilhei - ok, nem tanto assim! - no time de basquete do colégio e ainda ostento dois troféus de boliche na minha sala, testemunhas silenciosas de raras conquistas. No entanto, meu verdadeiro dom não estava no suor da quadra, mas no vibrar intelectual das paixões que acendiam meu coração.

Desde cedo, percebi que minha força residia na mente, não no músculo. Eu me encontrava nos desafios do poker, nos quebra-cabeças mentais onde eu era minha própria equipe, não havendo o peso de decepcionar ninguém além de mim mesmo. Enquanto meus amigos se perdiam em bolas e uniformes, eu mergulhava em mundos criados por palavras e imaginação.

Não consigo lembrar qual foi o primeiro livro que meus olhos devoraram, mas lembro claramente do primeiro que minhas mãos, trêmulas e inexperientes, ousaram escrever. Eu tinha uns 10 anos quando criei minha própria versão de "O Lótus Azul", inspirado pelas aventuras vibrantes de Tintim, a obra-prima do belga Hergé.

Tintim era mais do que um personagem para mim; ele era um companheiro, um ídolo. Minha sala tem um espaço dedicado a ele, com uma coleção completa de suas aventuras orgulhosamente exibida ao lado de uma pequena action figure, enquanto do outro lado, um quadro adquirido no museu do Hergé, na Bélgica, observa a tudo. Cada viagem que faço é uma oportunidade de trazer comigo uma versão de suas histórias em um idioma diferente - um ritual que transformei em meu souvenir oficial.

Aos 12 anos, embalado pelo entusiasmo juvenil, criei "As Portas", uma mistura ambiciosa de "De Volta Para o Futuro" e "O Fantástico Mundo de Bob". Esse tesouro está guardado em um disquete de 3 1/2, um relicário de memórias que hoje parece impossível de abrir. Quem diria que, naquela época, eu estava tecendo as primeiras linhas da narrativa da minha vida, em que a verdadeira aventura nunca foi física, mas sim, uma jornada intelectual e emocional através das páginas e sonhos.

Desapego

Muitos livros, pouco espaço.

Os livros sempre foram meus pilares, meus confidentes silenciosos que me acompanharam ao longo dos anos, moldando minha visão de mundo e confortando minha alma. Meu escritório, um repositório de conhecimento, foi o epicentro da minha jornada intelectual, onde me refugiei durante os desafios do mestrado e os dias sombrios do home office na pandemia. Ele era mais do que um simples cômodo; era um pedaço tangível da minha identidade.

Entre aquelas paredes, cercado por algo entre 1500 e 2000 volumes, eu vivi incontáveis vidas, viajei por mundos desconhecidos e abracei ideias que me desafiaram e transformaram. Cada livro era um amigo, um tesouro de sabedoria e aventura, um companheiro nas noites insones e nos dias de introspecção.

Mas a vida, sempre imprevisível, me levou a uma encruzilhada quando decidi mudar do Rio de Janeiro para São Paulo. Diante de um novo lar, menor e com espaços contidos, fui forçado a enfrentar um momento de desapego doloroso. Escolher quais livros levar foi como escolher quais memórias manter. Cada decisão, uma despedida. De 2000, restaram apenas 500, cada um carregando uma história ainda mais especial.

Esse processo de desapego não foi apenas sobre livros. Foi uma lição profunda sobre a impermanência da vida e a necessidade de adaptar-se às mudanças. Percebi que, às vezes, é preciso deixar ir para dar espaço ao novo.

Essa experiência alterou fundamentalmente a maneira como vejo o mundo, ensinando-me a valorizar não apenas o que possuo, mas também as experiências e lições que cada objeto, cada momento, trazem para a minha jornada. Era uma nova página em minha própria história, onde aprendi que as verdadeiras riquezas não estão nas prateleiras, mas nas experiências e conhecimentos que carregamos conosco.

Livros e café

Um livro e um café: o refúgio adequado.

Em meio ao turbilhão da vida cotidiana, cada um de nós anseia por um refúgio, um momento de serenidade. Para mim, essa paz se encontra na hora do café na padaria local, na agradável companhia do meu leal cão, Clóvis. Durante esses instantes preciosos, afasto-me do bulício digital e mergulho nas páginas de um livro. Essa rotina diária de leitura, mesmo que breve, tornou-se um remédio para minha alma e mente.

Hoje, convido vocês a ponderar sobre o poder tranquilizador da leitura em suas vidas.

Após a difícil tarefa de me desfazer de centenas de livros, decidi redescobrir o valor do Kindle.

Adquiri meu primeiro Kindle em 2011, quando a Amazon ainda era uma novidade para muitos no Brasil e os títulos em português eram raros. Foi uma época em que meu inglês se fortaleceu, impulsionado pela necessidade de explorar obras disponíveis apenas na língua de Shakespeare.

Inicialmente, o Kindle era reservado para livros digitalmente mais acessíveis ou aqueles inalcançáveis fisicamente - uma conveniência indiscutível. No entanto, desde o processo de desapego, minha preferência se inclinou para os ebooks, reservando as cópias físicas para clássicos indispensáveis em minha estante.

O Kindle simplificou minha vida de leitor. Ele me permite organizar minhas anotações e reflexões com eficácia, mantendo um acervo pessoal de citações e conhecimentos sempre atualizado. Além disso, o aplicativo no smartphone garante que a leitura continue, mesmo sem o dispositivo ou um livro físico à mão.

Admito, o Kindle me transformou em um leitor mais ávido e eficiente. Por mais que a verdade possa ser difícil de aceitar, ela é, inegavelmente, a verdade.

Ler não é apenas um passatempo; é uma jornada, uma exploração, uma forma de crescer e se conectar com o mundo de maneiras novas e surpreendentes. Espero que esta edição inspire vocês a criar seus próprios momentos de leitura e a descobrir novos mundos nos livros.

RESEARCH

Revolucionando o Monitoramento da DII: A 'Pílula Inteligente' e o Papel da Inteligência Artificial (IA)

A Inteligência Artificial (IA) poderá ajudar a medicina?

As Doenças inflamatórias intestinais têm sido um grande desafio para os profissionais de saúde devido às técnicas de diagnóstico limitadas. Métodos tradicionais de diagnóstico, como colonoscopias, são invasivos e desconfortáveis para os pacientes. No entanto, um dispositivo revolucionário, apelidado de pílula inteligente, promete mudar o cenário do monitoramento e tratamento das DII.

Pesquisadores desenvolveram um dispositivo ingerível, aproximadamente do tamanho de uma mirtilo, que combina bactérias modificadas com eletrônicos de baixo consumo de energia para monitorar a inflamação intestinal em tempo real. A pílula inteligente contém bactérias vivas que foram modificadas para produzir luz quando encontram certas moléculas biológicas associadas à inflamação intestinal. Isso permite o rastreamento desses indicadores em tempo real. Além disso, o dispositivo é seguro para ser engolido e oferece uma alternativa menos invasiva às técnicas de diagnóstico atuais, como a colonoscopia.

Desenvolvida em conjunto por pesquisadores do MIT, da Universidade de Boston, entre outras, a pílula é projetada para detectar indicadores chave da DII e transmitir os dados sem fio para um smartphone ou computador. Esta tecnologia pode ajudar a identificar fatores que causam inflamação antes que os sintomas apareçam.

Pesquisadores da Universidade Rice estão trabalhando em uma pílula inteligente semelhante que contém biossensores bacterianos para monitorar a inflamação intestinal em pacientes com DII. Os sensores bacterianos são conectados a uma proteína fluorescente verde, fazendo as bactérias brilharem em verde quando detectam inflamação. Embora os testes clínicos em humanos ainda estejam a alguns anos de distância, o objetivo é eventualmente reduzir o uso de ferramentas invasivas como endoscopias e colonoscopias para diagnóstico.

A Inteligência Artificial (IA) também está desempenhando um papel emergente no manejo das DII. Tecnologias de IA estão sendo utilizadas para melhorar os resultados e os tratamentos, incluindo a criação de um sistema de pontuação para o diagnóstico, desenvolvendo ferramentas de apoio à decisão clínica para prever a resposta ao tratamento, e prever quem terá uma doença mais grave a fim de orientar os médicos na escolha de terapias mais eficazes desde o início.

A IA também está sendo considerada para uso na detecção precoce de células pré-cancerígenas para prevenir o câncer colorretal em pessoas com DII. Algumas aplicações de IA já chegaram aos ambientes de cuidados clínicos, como a detecção de doenças assistida por IA em endoscopia por cápsula e a pontuação de avaliação da doença em colonoscopia.

Em conclusão, o desenvolvimento da pílula inteligente, combinado com o uso de IA e biotecnologia microbiana, anuncia uma nova era no diagnóstico e manejo da DII.

Apesar de estarmos ainda no início, tais tecnologias prometem oferecer uma alternativa aos procedimentos de diagnóstico invasivo, além de potencialmente melhoraram os resultados para os pacientes por meio da detecção precoce e planos de tratamento personalizados.

Fonte: Medriva

SOBRE A MINHA MESA

📖Leia comigo

  • A Biblioteca da Meia Noite
    Em A Biblioteca da Meia-Noite, a protagonista Nora Seed se vê exatamente na situação pela qual todos gostaríamos de poder passar: voltar no tempo e desfazer algo de que nos arrependemos. Diante dessa possibilidade, Nora faz um mergulho interior viajando pelos livros da Biblioteca da Meia-Noite até entender o que é verdadeiramente importante na vida e o que faz, de fato, com que ela valha a pena ser vivida.

📱Aproveite

  • Kindle Paperwhite Signature Edition

    A minha escolha! São 32 GB de armazenamento para mais espaço para seus livros favoritos. Carregamento sem fio para mais praticidade no seu dia a dia. Bordas mais finas para mais espaço de leitura. E uma luz frontal auto adaptável para leitura mais fácil de dia ou à noite.

  • Kindle 11a Geração

    A versão mais econômica do Kindle, que agora conta com uma aprimorada tela de alta resolução, o dobro do armazenamento, carregamento por USB-C e bateria de duração mais longa. A luz frontal embutida ajustável e o novo recurso de modo noturno permitem uma leitura confortável em ambientes abertos ou fechados a qualquer hora do dia.

POR FIM

Lembre-se: um livro é um sonho que você segura nas mãos. Que sonhos você irá explorar hoje?